domingo, 22 de março de 2009

Fui assim...


Indo eu um dia a atravessar o Largo do Rato com uma amiga, guiando o automóvel do meu pai, parámos junto do polícia sinaleiro ( muito importante em cima da sua pianha de madeira alta, grande e redonda) que soprava sem parar com o seu apito de metal reluzente e de som vibrante, a orientar o complicado trânsito local. Tendo ainda pouca experiência de conduzir, pois tinha tirado a carta há muito pouco tempo, ao ouvir subitamente o seu apito mandando-me seguir e contornar o seu palanque para voltar à esquerda, arranquei a toda a velocidade com medo de me atrasar e, talvez um pouco nervosa, não sei como, ao dar a volta bati violentamente no seu frágil apoio. Parei imediatamente a alguns metros. O homem cambaleou atónito, barafustou, gesticulou, apitou tanto e de tal maneira que eu atrapalhada e arrependida, tendo sempre presente as boas maneiras e delicadeza aprendidas no Colégio do Sagrado Coração de Maria, resolvi recuar e pedir-lhe desculpa, mas com tão pouco jeito e atrapalhação que lhe voltei a dar novamente outra forte pancada! Não consigo descrever a reacção do pobre polícia que já só queria ver-me dali para fora... Desta vez já não apitou. Com o capacete branco um pouco descaído para o lado, o olhar turvo e o apito numa das mãos, dobrou-se todo para a frente pondo em risco o seu equilíbrio e com os dois braços a ondular expressivamente apontando o longe, suplicava:
- Vá-se embora! Vá-se embora!
Achei então melhor partir bem depressa sem me desculpar, não fosse a paciência do bom homem esgotar-se ou com novo pedido de desculpas, mandá-lo eu talvez, para o hospital!...

terça-feira, 17 de março de 2009

A pesca do bacalhau nos mares da Gronelândia





























Revista Oceanos
Terra Nova

A Epopeia do Bacalhau
Nº 45, Janeiro/Março, 2001

…Foram fracas as campanhas dos últimos anos da década de 20. Em 1930 os navios regressam, mais uma campanha fraca.
Mas Ílhavo anima-se à chegada dos seus homens que andam bamboleando nas ruas como se ainda um
convés pisassem .
Passam os carros de bois carregados com os sacos de lona da roupa de bordo, cheirando a salgado e ao azougue das cavernas. Vai a roupa ao rol para a lavadeira a levar ao rio. Faz-se a procissão do Senhor dos Navegantes, andor aos ombros de marinheiros que cumprem promessas.
Juntam-se os «bacalhoeiros» na praça, na farmácia,
no barbeiro e este, de tanto os ouvir, já conhece os espalques ( locais de bom fundo) do Grande Banco, de cor e salteado os baixos de Rocks, os rumos, quantas as remadas.
Contam-se histórias, recordam-se os maus tempos, lamentam-se os naufrágios e as vidas perdidas. Mas vieram intrigados por terem deixado de avistar, por uns tempos, o «Santa Mafalda» no Virgin Rocks e no Grande Banco.
«- Por onde andou, Capitão Cajeira?
E este conta aos amigos e ao jornal «Beira Mar»:
- No ano passado chegaram até mim informações sobre a belíssima pesca que havia feito um navio francês nos Bancos da Groenlândia (…) Este ano cheguei aos Bancos da Terra Nova, procurei meus lugares preferidos de pesca aqueles onde em anos transactos, tenho feito boa safra. Uma grande desilusão sofri. Má pesca, escassez de peixe, uma arrelia…Resolvi, definitivamente, ir até aos Bancos da Groênlandia.
Partimos no dia 20 de Junho e tivemos uma viagem magnífica (…) Sem novidade e ao fim de 10 dias estávamos a 63º 40´ de latitude norte. Estávamos, então, sob a acção de um frio inclemente, cortante, indescritível (…) De todos os lados, mais perto e mais longe, se erguiam majestosos e bizarros os icebergs (…) De todos os tamanhos e de todos os feitios. Alguns davam-nos a impressão de veleiros singrando os mares, com o velame içado.
(…) Interessante mas tétrico. Interessantíssimas as auroras boreais.
- E pescaram?
- Oiça: castigada pelo frio intensíssimo e ante o perigo eminente em que nos achávamos em virtude da proximidade dos icebergs, a tripulação reunida
declarou-me que era impossível pescar (…) Que não podiam, diziam eles, e eu tive de concordar. O fogão já não tinha calor suficiente para coser pão e a água já fervia com muita dificuldade. (…) Em derredor do navio, a certa distância, avistaram-se centenas de icebergs. Faziam um barulho ensurdecedor (…).
- Como escaparam de tão grande perigo?
- Tivemos a nosso favor um grande factor de ordem natural. Quase não havia noite naquelas longínquas
paragens. O sol rompia às duas horas da madrugada e só às 11e15 horas (da noite) desaparecia no horizonte.
- Três horas pouco mais de noite.
- É certo… e nem sequer nesse tempo dormia descansado. Com grande dificuldade e, por vezes em risco de nos perdermos, conseguimos descobrir uma aberta pela qual iniciámos o regresso.
Navegando com ventos contrários só conseguimos chegar aos bancos da Terra Nova em Julho».
(continua)

Diário Náutico do lugre “Santa Mafalda”, 1931, do capitão João Pereira Cajeira (1879-1958)

Pesca do Bacalhau -2ª parte


Não desistiu o capitão Cajeira. Os navios da Empresa de Pesca de Aveiro, por instruções determinantes do seu gerente Egas da Silva Salgueiro – o Senhor Egas - no ano seguinte irão à Groenlândia, ou são bem sucedidos ou amarram. E em 1931 o «Santa Mafalda» do capitão João Pereira Cajeira, o seu gémeo «Santa Isabel» do capitão Manuel dos Santos Labrincha e o «Santa Joana» do João da Cruz largam do Virgin Rocks para a Groenlândia, sem saberem uns dos outros. Ninguém mais se aventurou – nem armadores nem capitães. Andejo, o “Santa Mafalda” leva a reboque o ronceiro “Santa Luzia” do seu amigo capitão Aquiles Bilelo, da empresa de pesca de Viana, enquanto o mau tempo não os separa.
E o “Santa Joana” inicia a viagem no dia 2 de Julho.
Também a saída do «Santa Isabel» do Rocks não passou despercebida. Pois o piloto do «Argus» registou no dia 23 de Julho de 1931: «à tarde o “Santa Isabel” suspendeu seguindo rumo ao N (norte). Calculamos seguir para Greenland.

(Até que…) aos 7 dias do mês de Setembro com um carregamento de peixe salgado e dando por acabada a campanha de pesca, mandou o capitão seguirmos viagem para Portugal com destino a Aveiro».

Avistam-se ancorados, não saíram do Fyllas, o «Santa Mafalda» e o «Santa Luzia»; iça-se a bandeira nacional a tope no mastro da mezena para lhes dar a notícia do regresso. «algumas ilhas de gelo à vista muito frio ».
A 3 dias de viagem, céu muito carregado, muito escuro para o SW» - sinal de vento muito fresco. Ele aí está, zarro, zarro, de força 8 a 9; navio de capa só com a polaca, vela de estai e a vela grande nos segundos rizes.
E no dia 8 de Outubro, ao fim de 31 dias de viagem, ancora o «Santa Joana» em frente à barra de Aveiro, junto do “Santa Mafalda» que fez 27 dias de viagem e também apanhou temporal desfeito - «mar escangalhado de diversos quadrantes – tempo muito tempestuoso, já não sei qual o barco que possa resistir. O navio vai quase sempre submerso».
Divisa-se no horizonte da nossa barra… É um alvoroço em Ílhavo, nas Gafanhas…navio à vista, navio à barra…
- Olha, são os navios da Empresa, são os navios do Egas, conhecem-se tão bem, os calceses brancos, aqueles mastaréus tão altos, o tosado tão acentuado…- são, são e vêm bem pesados, olha trazem o convés na água, vêm carregadinhos – ai, mas quase não trazem dóris, se calhar foram varridos ao mar… - ih cum raio, aquele do norte só se lhe vêm os cabeços à proa, traz a borda toda partida…» .
Mas a barra não tem água suficiente para lhes dar entrada e no dia 10 de Outubro «pelas 10 horas veio o rebocador «Vouga» com o patrão que nos deu ordem para seguir para o Porto».
E com aguaceiros e vento fresco do quadrante de SW «com o pano todo largo puxando para o Porto».
De 43 navios na campanha de 1930, nesta de 1931 só participam 21.
Crise acentuada. Desemprego na classe: muitos pescadores em terra, lá lhes vai valendo a pesca da sardinha, sazonal, as artes do cerco, a pesca da ria. Pilotos chegam a embarcar de marinheiros em navios de comércio, assim tiram as derrotas a vapor; alguns emigram para o Brasil, conseguem a categoria de pilotos brasileiros. Ficam muitos em casa, dois, três anos, sem subsídios a viver das suas economias.
Foi a esperança no futuro, a viagem daqueles quatro lugres à Groenlândia, navegando só à vela, sem planos dos Bancos, desafiando mares desconhecidos – campos de gelo, meteorologia imprevisível: foram na verdade homens de rija têmpera, destemidos aqueles capitães e suas tripulações.

Para consulta de mais imagens pode CLICAR AQUI

(extractos da Revista Oceanos)

segunda-feira, 9 de março de 2009

Nasce-se para viver...


Nascer e depois viver

Nasce-se para viver!
Respira-se para amar!.
Foge-se da inquietação para se poder continuar!
Comovente…
Comovemo-nos com o parto de uma mulher,
Com uma tarde de encanto,
Com um sol diferente do dia anterior…
Enternecedor…
Enternecemo-nos com a magia das cores…
Com a alegria de um bom pronúncio
Com o olhar de um recém nascido
Acabado de vir ao mundo!

Enquanto que a vida… desperta-nos para tudo.
E nós só queremos olhar para a felicidade!
Mas a melancolia…
A angústia…e a tristeza
Têm sempre um cantinho dentro da pessoa…
Ou então não éramos humanos!

Na vida é difícil contrabalançar o bem e o mal!
Mas temos que prosseguir!
Mesmo com o mal correndo nas nossas têmporas, já esgotadas!
Mas temos que avançar...
E é por isso que lutamos, arduamente,
Fielmente,
Corajosamente,
pela subida da caminhada, da serenidade,
Também limitada,
Pelo meta da existência!


Ana Côrte-Real



Ana e os poemas que vêm da alma...


O que é senão a vida!

Ana… e os poemas que vêm da alma!
Pois se viessem do coração havia lágrimas de comoção
A todas as pessoas;
À breve brisa que corre hoje;
À leveza da passagem do momento;
À subtileza do amor;
À frieza do ódio;
Às quedas que damos durante a caminhada, para uns quase eterna,
para outros tão breve!
Aos anos que passam inalterados sendo nós que envelhecemos!
Mas só na carne, não no espírito…!
Lutemos para vencer o invencível!

Ao pormenor de cada minuto…
Jamais igual
Para sempre diferente…

Amemos o poder da particularidade!

Ao pormenor de cada pessoa…
Quando se pode gerar, dois seres iguais;
Quando se pode gerar, dois seres diferentes;
Ou quando se pode gerar unicamente, um ser!

Ana… e os poemas que vêm da alma!
Pois se viessem do coração havia lágrimas de comoção!

O Tempo não pára…
Quem pára somos nós, na nossa devida hora!
E os meus poemas continuam a brotar da alma,
pois o coração, só a mim pertence!
E os meus poemas continuam a brotar da alma,
porque só entrego o meu coração, a quem eu desejo!

Poema de Ana Côrte-Real

Poema de Ana Côrte-Real




A arte nas estrelas...

Copiar a cor de uma estrela que ilumina o céu durante a noite
Requer graça
Requer talento
Requer arte.
É a visão mais bonita do Universo!

A forma dita a sua beleza!
O brilho a sua vaidade!

No tempo, o artista… copiando a cor das estrelas…
E as estrelas sempre a cintilar na noite negra azul do céu!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Porque gosto tanto dos cães...


Cão Dog Cane Perro Chien Koira Pies Rutshi


Neste mundo egoísta em que vivemos, o cão é o único amigo desinteressado que o homem pode ter. É o único que nunca o abandona, o único que nunca é ingrato ou traiçoeiro.
Os cães entendem os nossos pensamentos e se pensarmos coisas desagradáveis a seu respeito, eles percebem e ficam muito tristes.
Quando um cão abana a cauda, ficamos a saber que ele nos amará para sempre.
Não precisamos de lhe conquistar a confiança e amizade: ele nasceu para ser nosso amigo. Ele é como uma criança que está sempre disponível para amar e ser amada. Não importa ter pouco dinheiro ou quais são as nossas posses, ter um cão torna-nos ricos.
Se o seu cão acha que você é a melhor pessoa do mundo, não procure outra opinião. Os olhos de um cão são o espelho fiel da sua alma. É bom saber que há um olhar à nossa espera e que ganha mais brilho quando chegamos a casa.
O único defeito dos cães é terem vidas demasiado curtas…
Não interessa a língua em que pronunciamos o seu nome: cão, dog, cane, perro, chien koira, pies, rutshi, nestas ou em tantas outras, o cão é o animal do qual podemos fazer o nosso melhor amigo, em qualquer parte do mundo.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Janelas


Poema de António Gedeão


Tenho 40 janelas nas paredes do meu quarto,
sem vidros nem bambinelas
posso ver através delas o mundo em que me reparto.
Por uma entra a luz do sol, por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas que andam no céu a rolar.
Por esta entra a Via Láctea como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens, pela outra a escuridão.
Pela maior entra o espanto, pela menor a certeza,
pela da frente a beleza que inunda de canto a canto.
Pela quadrada entra a esperança
de quatro lados iguais,
quatro arestas quatro vértices,
quatro pontos cardiais.
Pela redonda entra o sonho, que as vigias são redondas
Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade, e o desejo dos homens e o tédio,
e o medo, e as melancolias,
e essa fome sem remédio a que se chama poesia.
E a inocência, e a bondade, e a dor própria,
e a dor alheia e a paixão que se incendeia,
e o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro, que se olham obliquamente,
arrepiados de medo.
Todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes, tudo alonga a sua sombra
nas minhas quatro paredes.
Oh janelas do meu quarto, quem vos pudesse rasgar!
Com tanta janela aberta, falta-me luz e o luar!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Meditar


Muitas vezes, ao fim de um dia de preguiça,
chorei o meu tempo perdido.
E não há tempo perdido, ó meu Senhor.
Tu tomaste nas tuas mãos todos os instantes
da minha vida.
Oculto no coração das coisas, tu é que alimentas
a semente até que ela germine, o botão
até abrir-se em flor e a flor
até ser fruto farto e doirado.
Eu estava estendido, a dormitar, no meu leito
indolente, julgando suspenso todo o esforço.
Mas acordei de manhã e encontrei o meu jardim cheio de flores e de maravilhas.
TAGORE

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Homenagem aos bebés

Homenagem aos bebés.

Que fazem os bebés?
Dormem, comem, sujam-se por vezes, noutras enchem de riso os ares, choram muito quando precisam, divertem-se sozinhos e é com certeza isso que se passa enquanto são bebés. Depois mais crescidinhos, continuam a fazer o mesmo e mais umas quantas habilidades, inventam gracinhas, gatinham, andam, dão corridinhas e caem. Caem e choram. E quando a mãe coloca a mão sobre o dói-dói a dor passa. Começam então a investigar o mundo, a vencer obstáculos, a andar de triciclo.
E a comunicação que a princípio é apenas gestual vai sublimar-se com os sons; primeiro, simples gritinhos, o rir e o chorar, o ralhar e o protestar, o imitar. Depois pouco a pouco, os sons aproximam-se da palavra até aparecer a primeira: Mamã!
Que descoberta! A partir de agora mamã vai servir para tudo: mamã porque tem fome, mamã porque lhe doem os dentinhos, mamã porque lhe apetece fazer birra, porque está triste ou porque está contente...

Mamã, simplesmente, divinamente para a chamar...

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Aconteceu no Alentejo

A igreja de Santa Maria numa cidade do Alentejo junto do Castelo, encontrava-se muito deteriorada, e teve que ser encerrada para obras, retirando-se todos os objectos para uma arrecadação. As obras prolongaram-se por dois ou tês anos, e finalmente preparou-se tudo para a festa de reabertura.
Ao serem colocadas as imagens nos respectivos pedestais o prior verificou que havia um problema: uma Nossa Senhora com o Menino conhecida por Santa Maria, encontrava-se num estado lastimoso, com a pintura toda caída ou a cair mal se lhe tocava. Naquela altura já não era possível enviá-la para um restaurador o que acarretaria muito tempo e despesa.
A imagem era feita de madeira maciça mas a pintura parecia moderna, talvez de 1930, época em tinham sido feitas obras na igreja. No entanto a escultura parecia anterior ao barroco, as roupagens com as pregas verticais sem nada a esvoaçar, o cabelo da Senhora liso, caindo a direito até à cintura.
Pediu o prior a uma amiga minha com grande habilidade e conhecimentos de pintura, muito devota e praticante da religião católica se poderia fazer os reparos necessários na imagem. Por não ser especialista na matéria, a minha amiga hesitou, mas pelo que observara chegou à conclusão que aquela não era a primitiva imagem de Santa Maria, contemporânea da actual igreja (reinado de D. Dinis), que essa se teria estragado sendo substituída pela actual, e dispôs-se a arranjá-la. Mas havia um problema : o grande peso da estátua, que por falta de condições na igreja, teria de ser deslocada para casa da minha amiga para o restauro.
Então alguém alvitrou: - De maca é que nossa Senhora ia bem! Já seria fácil transportá-la!
O prior não pôs objecções. Recorreu-se então aos bombeiros, cujo presidente não se opôs e considerou o serviço dentro das atribuições da corporação.
Acertou-se o dia e a hora e lá veio a Santa Maria de maca onde já estava preparada a sala do rés- do- chão do piso inferior, para a execução do trabalho.
E várias semanas passaram, esforçando-se a minha amiga para a pôr com melhor aspecto. A túnica passou a cor de tijolo, o azul do manto a uma tonalidade azul cinza e a barra do manto manteve-se por ter uns motivos dourados a folha de ouro. Os rostos e as mãos mantiveram-se igualmente por estarem bem, assim como a camisinha do Menino Jesus.
A imagem teria agora que regressar de novo à igreja de Santa Maria. E desta vez quem foi buscá-la foi a ambulância da Emergência Médica!
A minha amiga pensou: vai-se levantar um burburinho quando chegarmos ao Castelo. Puro engano. Ouviu-se antes uma mulher gritar para as vizinhas: - Já ali vem ! - Nossa Senhora chegou!
Quatro bombeiros fortes colocaram a imagem no seu nicho e a reabertura do culto com a bênção do Bispo realizou-se dali a dias.
E assim terminou esta história original, com um epílogo feliz…

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

mar azul

O azul
transmite-nos uma beleza formosa.
Os seus tons comunicam-nos subtilezas da expressão.

O azul é belo
na sua própria essência.
O azul
retrata a cor… de uma Índia, ou de uma África...

O azul do mar
do oceano
como das profundezas da sensibilidade.
Azul
cor inseparável das nossas emoções…

Poema de Ana Côrte-Real

Eu e a Ana minha filha adoramos o mar azul... Todos os nossos antepassados foram grandes ou pequenos marinheiros.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009


Uma história contada por Óscar Wildle.
A lenda de Narciso.

Havia um rapaz que todos os dias ia contemplar a sua beleza num lago. Estava tão fascinado por si mesmo que certo dia caiu dentro do lago e morreu afogado. No lugar onde caiu, nasceu uma flor, que chamaram de Narciso.
Mas não era assim que Óscar Wilde acabava a história. Ele dizia que quando Narciso morreu, vieram as Oréiades -deusas do bosque -e viram o lago transformado, de um lago de água doce, num cântaro de lágrimas salgadas.
-Por que choras? – perguntaram as Oréiades ao lago.
- Choro por Narciso - disse o lago.
Ah, não nos espanta que chores por Narciso – continuaram elas. – Afinal de contas, apesar de nós sempre corrermos atrás dele pelo bosque, tu eras o único que tinha a oportunidade de contemplar de perto a sua beleza.
-Mas Narciso era belo? - perguntou o lago.
-Quem mais do que tu poderia saber disso? - responderam, surpresas as Oréiades. Afinal de contas, era nas tuas margens que ele se debruçava todos os dias.
O lago ficou algum tempo silencioso. Por fim disse:
- Eu choro por Narciso, porque todas as vezes que ele se debruçava sobre as minhas margens eu podia ver, no fundo dos seus olhos, a minha própria beleza reflectida.

Que bela história ….

sábado, 10 de janeiro de 2009

Amor e humildade


Um conto sobre o Amor e a Humildade, lido num dos livros de Paulo Coelho.

Certo dia, Nossa Senhora, com o Menino Jesus nos braços, resolveu descer à Terra e visitar um mosteiro. Orgulhosos, todos os padres fizeram uma grande fila e cada um se apresentava diante da Virgem para prestar a sua homenagem. Um, declamou belos poemas, outro mostrou as suas iluminuras para a Bíblia, um terceiro disse o nome de todos os santos. E assim por diante monge após monge, cada um homenageou Nossa Senhora e o Menino Jesus.
No último lugar da fila havia um padre, o mais humilde do convento que nunca tinha aprendido os sábios textos da época. Os seus pais eram pessoas simples que trabalhavam num velho circo das redondezas e tudo o que lhe tinham ensinado era a atirar bolas para o ar e a fazer alguns malabarismos.
Quando chegou a sua vez, os outros padres quiseram encerrar as homenagens porque o antigo malabarista não tinha nada de importante para dizer e podia desmoralizar a imagem do convento. Entretanto, no fundo do seu coração, também ele sentia uma imensa necessidade de dar alguma coisa de si a Jesus e à Virgem.
Envergonhado, sentindo o olhar reprovador dos seus irmãos, tirou algumas laranjas do bolso e começou a atirá-las ao ar fazendo malabarismos que era a única coisa que sabia fazer.
E foi só nesse instante que o Menino Jesus sorriu e começou a bater palmas no colo de Nossa Senhora. E foi para esse padre que a Virgem estendeu os braços, deixando que ele segurasse um pouco o Menino…

«Este conto de Paulo Coelho, recria um símbolo intemporal que nos recorda a importância de seguir os nossos sonhos e ouvir a voz do coração.»

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Gatinhos

Há cerca de 600 milhões de gatos domésticos em todo o mundo.
O gato possui mais ossos do que os humanos
A audição dos gatos é muito mais sensível do que a dos homens e amplificam os sons como um megafone.
Um gato enxerga seis vezes melhor do que um humano à noite
O campo de visão de um gato é de185 graus.
Os gatos têm 30 dentes, enquanto os cães possuem 42.
O gato doméstico pode correr a uma velocidade de 50km/
h
Ver mais fotos clicando AQUI.

Uma simples visita

Todos estamos de visita neste momento e lugar.
Só estamos de passagem.
Viemos observar, aprender, crescer, amar e voltar para casa.
Dito aborígene australiano

Posted by Picasa

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Tamanho e qualidade

Não importa o tamanho do arquivo mas a qualidade do conteúdo.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Prioridade


O mundo não te deve nada.
Existia antes de ti.
Mark Twain

Simplesmente belo

A beleza quando está mais adornada é quando não está.

São Jerónimo

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Vida sã


O Segredo da saúde, mental e corporal, está em não se lamentar pelo Passado, não se preocupar com o Futuro, nem se adiantar aos problemas , mas viver sábia e seriamente o Presente.

Buda

sábado, 6 de setembro de 2008

A um Amigo.


Agradecimento
Este meu pequeno Blog deve-se à ajuda amiga, estimuladora e paciente do professor de
Informática Carlos Alberto Silva, a quem expresso aqui a minha amizade e reconhecimento. Bem Haja!


sexta-feira, 29 de agosto de 2008

AVÓS CAJEIRA


segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Recordando a minha passagem pelo Turcifal...


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No ano 2000 por lembrança e convite do
então presidente da Casa do Povo Sr. Carlos Bernardes, o coro infantil e juvenil do Turcifal marcou presença no concurso “Novos Talentos” promovido pela Câmara Municipal de Torres Vedras e ganhou a nível de freguesia representando o Turcifal na grande final que se realizou no Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras desse ano. Nos anos seguintes, até 2006, individualmente ou em grupo, alunas do coro foram sempre apuradas para a final dos concursos.
Trabalhávamos intensamente para além do horário dos ensaios.

Em 2005, conforme representa a foto, as alunas Sara, Cátia, Vanessa e Tânia ganharam o concurso a nível de freguesia, representando o Turcifal na final.
No ano 2006 apresentámos, além de um número de dança com música e voz dos Mini Star, intitulado “A História dos Beattles”, duas comédias de teatro musical; uma, foi a adaptação da cena “A Agulha e o Dedal” do filme português “a Canção de Lisboa” cujas intérpretes foram a Cátia e a Vanessa do coro juvenil e a outra intitulada “As Manas Perliquitetes ”figuras típicas da Lisboa antiga, numa versão nossa interpretada por duas alunas do coro de adultos ” Versatilis” a Sofia e a Paula Guerra.
Vamos revê-las , as primeiras recebendo o prémio da melhor interpretação de voz , as outras em cenas da sua representação, no Salão da Casa do Povo.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Fundo do Mar

Durante uma aula , alguns alunos, imaginaram e criaram mais desenhos embelezando o painel de mosaicos do Fundo do Mar.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008


De 1970 a 1974 fui em Serpa, no Alentejo, professora de Educação Visual na Escola do Ciclo Preparatório da qual o meu marido era o Director. Durante esses anos os meus alunos desenharam e pintaram vários trabalhos alguns dos quais podem ser visionados clicando aqui. Guardei alguns pela beleza que lhes encontro e pelo que afectivamente representam para mim.
Fizeram também um grande painel em mosaico representando o fundo do mar, que depois foi colocado no refeitório da Escola. Os mosaicos, quadrados de pequeno tamanho, 2 centímetros de lado, foram oferecidos pela fábrica Covina e eram partidos em 4 bocados. Os alunos trabalhavam no painel fora dos seus tempos lectivos, colocando-se à volta de uma grande mesa rectangular colocada no fundo da sala de aula, junto a uma janela. Não havia esboço prévio. Iam criando o que sentiam e o que a sua imaginação no momento lhes sugeria e ditava. Depois de acabado, alguns contínuos cimentaram a composição e montaram-na muito solidamente numa parede a embelezar o nosso refeitório acabado de estrear.
Visitando Serpa e esse local, um dia, muitos anos passados, percorri as salas e os corredores do que fora a Escola Preparatória, edifício abandonado, com as portas e as janelas desfeitas e, naquela parede lá estava grande, colorido e ainda belo, incólume ao vandalismo, preso na parede, o nosso painel.
O que terá sido feito dele, pergunto-me algumas vezes? Partido e demolido com tudo o resto?...Talvez …
Como tudo na vida nasceu, morreu e deixou saudade …

domingo, 29 de junho de 2008

Enlace




Lembrando ainda oTurcifal,mostro a foto de algumas alunas que o muito convívio ao longo dos anos : ensaios concertos , festas , viagens, passeios e concursos , fará que estejam sempre presentes no meu coração.

Faziam parte do grupo Juvenil e com alegria aguardavam pela aula na sala de ensaio da Casa do Povo.

sábado, 28 de junho de 2008

O que foi o Coro Infantil e Juvenil do Turcifal

O Coro Infantil e Juvenil da Casa do Povo do Turcifal foi criado em 1996 pelo então Presidente da Casa do Povo do Turcifal Sr. Carlos Bernardes, com o objectivo de promover e incentivar a formação e a cultura musical tanto popular como erudita, vindo assim dar resposta cultural a todos os que gostam de cantar, de aprender e de fazer música de conjunto.
Foi dirigido desde o início da sua actividade até ao ano de 1999 pelas professoras Ida Corte Real e Julieta Guilherme. Desde o ano 2000 até final de 2006 somente pela professora Ida Corte Real.
Os seus elementos maioritariamente femininos tinham idades entre os 5 e os 16 anos. Foi subdividido em duas secções, a infantil e a juvenil, com metodologia e repertório diferenciados, interpretando também canções infanto-juvenis, apelando a valores como a amizade , a alegria o respeito pela Natureza e pela Humanidade.
Efectuou, ao longo dos anos , inúmeros concertos públicos dentro e fora do concelho de Torres Vedras.
Em 2006 contava com 25 elementos infantis e juvenis e foi formado um coro de adultos de nome Versatilis. Juntos efectuaram nesse ano vários concertos com destaque para o Concerto de Natal e de Reis na Igreja de Santa Maria Madalena no Turcifal e noutros locais do Concelho.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Ana e Sofia

Ana e Sofia

terça-feira, 17 de junho de 2008

A Festa da AUTITV

DIA 11 DE JUNHO ACONTECEU A NOSSA FESTA. HOUVE CORO , DANÇAS FLAUTAS,

TEATRO E OUTRAS ASSOCIAÇÕES CONVIDADAS .

A FESTA ENCERROU COM A ACTUAÇÃO DA TUNA.

FOI UMA TARDE ALEGRE E BEM PASSADA.

sexta-feira, 21 de março de 2008

A NETA DO CAPITÃO CAJEIRA

Como filha muito mais nova, ia frequentemente com o meu pai a Ílhavo visitar o meu avô.
Subir ao sótão da casa , onde duas grandes arcas brasileiras cheias de coisas antigas me esperavam, fazia as minhas delícias. Era maravilhoso!
Como antes já disse, tinha então dez anos, frequentava a quarta classe e recordo-me de levar
vestido uma saia e bolero azul escuro com coelhinhos bordados que estreei numa festa da escola.
O meu pai e o meu avô, contavam-me histórias apaixonantes acerca do dia a dia no mar do
meu avô, primeiro nos mares da Terra Nova , mais tarde nos mares gelados da Gronelândia.
Eu perguntava a mim mesma, será verdade? Mas era mesmo verdade. Mais tarde,
fui encontrar no livro de Bernardo Santareno "Nos Mares Do Fim Do Mundo", uma dessas aventuras
que Ílhavo não devia trocar ,escrevendo o nome doutros /seus protegidos/.
O Capitão Cajeira foi o primeiro português a levar o seu barco e os seus corajosos marinheiros
aos mares gelados da Gronelândia...
Também nos arquivos dos Diários de bordo do Museu de Ílhavo podemos ler o mesmo.
Na próxima mensagem deste meu blogue vou tentar resumir um fantástico episódio que Bernardo Santareno relatou no seu livro. Este livro encontra-se à venda ou encomenda-se em qualquer Fnac do nosso País.

Defendo os meus familiares, sou assim, sempre fui assim...

sexta-feira, 7 de março de 2008

RECORDAÇÕES





Tinha então 10 anos..


Lembro-me de ir a Ílhavo com o meu pai visitar o meu avô, o capitão Cajeira, comandante do navio Santa Mafalda que pescou pela primeira vez para barcos portugueses, nos mares gelados da Gronelândia.

Assim dou início a este meu modesto blog.

quarta-feira, 5 de março de 2008


O meu avô, o Capitão Cajeira de Ílhavo na sua grande aventura nos Mares da Gronelândia, águas tenebrosas que foi o primeiro a navegar em barcos portugueses, tem num livro de 1962 de Ciclo Preparatório e Cursos Complementares de Virgílio Couto, um pequeno texto retirado do livro de Bernardo Santareno “Nos Mares do fim do Mundo”, livro esse que ainda se pode encontrar ou encomendar na Fnac.
O texto que passo a descrever, “ A Revolta”, mostra-nos o seu espírito destemido e o desejo de vencer. Valorosos e destemidos também acabam por se mostrar todos os pescadores, novos e velhos que com ele viveram essa aventura, uma vez que como se sabe, nessa data os navios de pesca não possuíam radar.

A REVOLTA

- “O ti´Rufino, de cabeça baixa, a olhar para o chão, a voz mais trémula, mas nítida ainda, conseguiu articular:
-“ Nada, sô capitão; na veja nisto calquer ofensa contra vocemecê, mas a gente na pode ir: os homens arreceiam esses mares estranhos. Cada qual tem a sua família: havemos de deixar-nos matar?!”
-“ E quem lhes disse que o mar da Groenlândia é pior que este, aqui da Terra Nova? Tenham vergonha nessas caras, não sejam maricas!... – volvia o capitão.
-“ Na vamos!” – ousou o Zé Cravo.
-“ Vão! Quero eu! Mando eu!
E o Cajeira, espumando de raiva, dava pontapés num molho de cordas para ali arrumado, Metia medo o homem! Com os grandes olhos congestionados e sangrentos a saírem das órbitas, fuzilava os pescadores, em relâmpagos duma violência selvagem:
-“ Oiçam… oiçam de uma vez para sempre, seus poltrões: Eu prometi ao armador que havia de ir com este navio à Groenlândia, que só voltaria a Portugal com o porão cheio de bacalhau… Prometi-lhe eu, empenhei nisso a minha palavra! Estão a ouvir bem? Nunca, nunca até ao dia de hoje, o capitão Cajeira faltou à sua palavra! Nunca!!!
-“ A água gela…” choramingou o Toino da Zefa.
-“ Morríamos de frio…” – insistiu o Manuel do Rosário.
-“ Na queremos ir!” – gritou mais uma vez, de novo bravio, o Zé Cravo.
Por momentos, o capitão olhou o moço em silêncio, cruelmente. Depois, num impulso incontível, foi-se a ele, arrastou-o como um boneco até ao mastro do centro e, com uma grossa corda, a este o amarrou, decidido, sem uma quebra na fúria.
-“ Eh, mulherengos!... Eh, homenzecos de pataco! ouvi bem: o que agora sucede ao Zé Cravo, sucederá a outro qualquer que tente desobedecer-me… A outro qualquer, velho ou novo, verde ou maduro!”

E foi assim que o “Rio Lima” pescou, pela primeira vez para barcos portugueses, nas águas tenebrosas da Gronelândia.