quarta-feira, 25 de novembro de 2009

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

As palavras sempre ficam!



“Se me disseres que me amas, acreditarei mas se escreveres que me amas,
acreditarei ainda mais.
Se me falares da tua saudade, entenderei,
mas se escreveres sobre ela,
eu a sentirei junto contigo.
Se a tristeza vier a te consumir e me contares,
Eu saberei, mas se a descreveres no papel, o seu peso será menor
e assim são as palavras escritas: possuem um magnetismo especial, libertam,
acalentam, invocam emoções.
Elas possuem a capacidade de em poucos minutos cruzar mares,
saltar montanhas, atravessar desertos intocáveis.
Muitas vezes infelizmente perde-se o autor
mas a mensagem sobrevive ao tempo,
atravessando séculos e gerações.
Lembre-se sempre do poder das palavras .Quem escreve constrói um castelo
e quem lê passa a habitá-lo.”



(Autor desconhecido)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Uma história de encantar para a Ana e Sofia.
















Os Dois Vestidos de Carlota
Era uma vez uma menina chamada Carlota, muito franzina e lourinha que
vivia com a mãe Ana que era feirante.
Todos os dias iam vender roupa à feira, por isso a menina nunca andava mal vestida.
Depois da feira Carlota costumava ir brincar para a clareira que ficava perto da sua casa. Chamava-lhe a “ Clareira Mágica “.
Um dia a mãe de Carlota disse para a filha:
- Olha que vestidos tão lindos! São para ti, fica com eles!
Eram dois vestidos realmente muito bonitos! Um era vermelho, o outro azul.
O azul tinha montes de lápis desenhados, o vermelho flores de todas as cores.
Um dia, Carlota estava a escutar os pássaros encostada a uma árvore, quando de repente, uma borboleta lhe falou:
- Olha Carlota a mãe do Mundo Colorido mandou-te chamar.
- Sabes porquê? - Perguntou a menina.
- Sei sim, é porque os teus vestidos são mágicos, tanto o azul, o dos lápis, como o vermelho das flores.
Carlota escutava encantada e a borboleta continuava:
- Queres ir até lá brincar comigo?
Carlota respondeu-lhe que sim com a cabeça.
Tinha o vestido mágico azul, o dos lápis e depois da borboleta acabar de falar, encontrou-se num mundo todo azul habitado por lápis de todas as cores e tamanhos.
Um dos lápis aproximou-se e disse:
- Que bom teres vindo Carlota!
- Olha pega em nós e desenha tudo o que tiveres na vontade.
Então a menina desenhou barcos, casas, árvores, o sol, o mar, a lua, estrelas… e ficou horas a desenhar. Exausta, voltou à clareira e a borboleta disse-lhe:
- Amanhã traz o teu vestido vermelho e irás comigo ao reino das flores.
No dia seguinte Carlota vestiu o vestido vermelho das flores e voltou à clareira. A borboleta apareceu e lá foram. Então, de repente, vi--se rodeada de flores de todas as cores e feitios que lhe foram contando histórias maravilhosas que nunca tinha ouvido: histórias do pôr – do - sol, da lua, do mar, de fadas… A menina estava maravilhada!
Eram 6 horas quando regressou à clareira. Perguntou à borboleta quando poderia ir passear outra vez com ela. A borboleta respondeu-lhe:
-Quando a mãe do Mundo Colorido te der novos vestidos mágicos.
Carlota voltou para casa cansada de brincar. Extasiada ainda, foi-se deitar e adormeceu. E os seus sonhos foram tão belos que sorrindo murmurou:
… Mãe do Mundo Colorido…
Com muito amor da avó Tita e da tia Ana

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Missão


“O que será que cada um de nós está fazendo neste planeta?”
Para mim a nossa vida no planeta Terra tem basicamente dois motivos: evoluir espiritualmente e aprender a amar melhor.
Todos os nossos bens na verdade não são nossos. Somos apenas as nossas almas e devemos aproveitar todas as oportunidades que a vida nos dá para evoluirmos. Portanto devemos lembrar-nos que os nossos fracassos são sempre os melhores professores e é nos momentos difíceis que precisamos encontrar uma razão para continuar em frente. As nossas acções, especialmente quando temos de nos superar, fazem de nós pessoas melhores. A nossa tentação de resistir às tentações, aos desânimos para continuar o caminho é que nos torna pessoas especiais. Ninguém veio a esta vida com missão de desfrutar dinheiro e comer do bom e do melhor. Ganhar dinheiro e alimentar-se faz parte da vida, mas não pode ser a razão dela.
Escute a sua alma: Ela tem orientação sobre qual o caminho a seguir.

Adaptação de um texto de Roberto Shingashiki

.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Mais um poema da Ana...




O amor nasce no coração
Mas também pode brotar da poesia…
De afectos
De amizades
De entre ajuda
De paixão
De compaixão
De lágrimas
De tristeza
De alegria!

A fidelidade é como um Pôr de Sol
Que desponta todas as tardes
Sem se ausentar uma única vez na vida!

O calor do Sol
Acalenta as tempestades do coração
Acalma o terror do pânico e dá conforto a quem sente frio nos sentimentos!

A carícia
O mimo
O afago
Anima e consola até nos adormecer!

Mas é preciso que ao acordar sejamos amados!…

terça-feira, 26 de maio de 2009

Palavras Poderosas


Abundância – Amizade – Amor – Beleza – Bondade – Caridade – Concentração – Confiança – Criatividade – Concretizações – Desenvoltura – Energia – Equilíbrio – Felicidade – Honestidade – Harmonia – Ilimitado – Independência – Inspiração – Inteligência - Orientação – Liberdade – Objectivos – Justiça – Paz – Saúde – Sabedoria - Realização – Poder – Persistência – Segurança – Vitalidade – Serenidade – Vida.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Oração a S. Francisco

Uma amiga minha foi a Itália e trouxe de Assis esta bela oração a S Francisco que eu já conhecia em português
mas não em italiano, língua, onde para mim, ganha maior expressividade.


Preghiera Semplice

Oh! Signore, fa di me un istrumento della tua Pace : Dove è odio fa ch’io porti l’Amore.
Dove è offesa, ch’io porti il Perdono.
Dove è discórdia, ch’io porti l’Unione.
Dove è dubbio, ch’io porti la Fede.
Dove è errore, ch’io porti la Verità.
Dove è disperazione, ch’io porti la Speranza.
Dove è tristezza, ch’io porti la Gioia.
Dove sono le tenebre, ch’io porti la Luce.

Oh! Maestro, fa ch’io non cerchi tanto:
Ad essere consolato, quanto a consolare;
Ad essere compresso, quanto a comprendere;
Ad essere amato, quanto ad amare.

Poiché: Si è: Dando, che si riceve;
Perdonando che si è perdonati ;
Morendo, che si risuscita a Vita Eterna.

S. Francesco d’Assisi

domingo, 10 de maio de 2009

A Zambézia do Passado


A capital da Província da Zambézia, Quelimane, começou por ser uma pequena feitoria comercial portuguesa que só em 1761 foi elevada à condição de vila.
A riqueza agrícola de toda a região deve-se às condições favoráveis do solo e do clima.
As culturas de maior importância eram então o coqueiro, a cana sacarina, o sisal, o milho, o algodão, o tabaco e mais tarde também o chá.
Ascendendo a cidade em 1942 Quelimane reforçou nos anos subsequentes a sua fisionomia de centro administrativo e cultural com invulgares riquezas agrícolas: vastíssimos palmares de coqueiros nas orlas de Quelimane e da Maganja da Costa, chá no Gurué e em Milange, açúcar no Luabo e em Mopeia, no Caia e em Marromeu e algodão na Marrumbala e ainda sisal, tabaco, milho, mandioca, arroz, etc.

Em Quelimane nasceu a Anucha dos versos “Numa tarde quente de 1966”, quando numa vinda a Lisboa, deixámos o papá sozinho em terras africanas. O Joãozinho, o mano de quem os versos também falam, teria ano e meio quando fomos para Quelimane, exercer como professores.
Saudades?... Sim, muitas saudades de Àfrica, de Quelimane, do Rio dos Bons Sinais e desse tempo que à distância vejo como único e maravilhoso

Para ver mais fotos clicar AQUI

terça-feira, 14 de abril de 2009

Moçambique


Quelimane, numa tarde quente de 1966

Eu tenho dois pequeninos
Um casalinho a primor
Tu, Joãozinho, um traquinas,
Tu, Anuchinha, um amor.

O papá manda beijinhos
E um grande abraço apertado
E mil, um milhão de carinhos,
E lágrimas por estar afastado.

O papá está quase sempre
Muito tristinho a pensar,
(Quase não, constantemente)
No dia em que hão-de voltar.

E por isso o tempo agora
Já não passa depressinha.
Cada minuto é uma hora,
Desde manhã à noitinha.

Mas se o papá é bonzinho
Sempre pronto para brincar,
Fica às vezes zangadinho
E põe-se logo a ralhar.

Olha lá, ó Joãozinho,
Olha lá, não sejas mau.
Senão vou aí num instantinho
Num pulo dar-te tautau.

E tu também ouve Anucha
Quando é que tomas juízo?
Pois a pensar só na bucha
Vais dar aí prejuízo…

Pois eu não quero que aí
Façam maldades assim.
Quero que venham para aqui,
Fazê-las ao pé de mim.

Não se esqueçam do recado,
Vão já dizê-lo à mãezinha,
Quero-os aqui ao meu lado
Desde manhã à noitinha.

Do Papá.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Galiza, Ilha de Toja e Santiago de Compostela.










La Isla de Toja é, uma ilha galega da província de Pontevedra, situada a poente da vila de O Grove, à qual está unida por uma ponte. É uma ilha túristica famosa pelas suas águas curativas.
Santiago de Compostela é a capital da Galiza ( Espanha) e localiza-se na província da Corunha.

domingo, 5 de abril de 2009

Arte em Casa






















Festa no Turcifal



Fotografia de um lanche convívio dos Coros, Infantil, Juvenil e Versatilis da Casa do Povo do Turcifal na sala de ensaio, no dia da eliminatória para freguesias do Concurso" Novos Talentos " no ano 2006, evento promovido pela Câmara Municipal de Torres Vedras.

sábado, 4 de abril de 2009

Passeio a Piódão a jóia da Serra do Açor...





Piódão é uma das 10 aldeias históricas de Portugal, situada entre a serra da Estrela e a Serra da Lousã, sendo considerada a jóia da Serra do Açor. Com aproximadamente 36,40Km quadrados de área, é a freguesia portuguesa mais longínqua do concelho de Arganil.
Os terrenos são basicamente xistosos e é considerada área protegida, podendo encontrar-se castanheiros, carvalhos, loureiros, medronheiros, azereiros e arbustos como a urze, o rosmaninho a carqueja e a giesta.
Ir até Piódão, é decerto um passeio maravilhoso e inesquecível!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Posso!

Posso…

Posso sentir beleza ao olhar para o céu enevoado, deste Inverno rigoroso.
Posso sentir imensidão ao pensar no mar do meu Portugal querido.
Posso sentir compaixão ao ver todos os que pedem na rua: um pouco de calor …um pouco de sentimento para tapar o vazio, que ninguém imagina que alguém possa experimentar!
Posso sentir-me acarinhada… basta um olhar mais fundo
basta uma palavra mais generosa
basta um sorriso verdadeiro
Posso sentir-me amada.
Eu vivo o amor como se vive uma amizade.
Eu vivo o dia a dia como se respira,
naturalmente…
sem fantasias!

Posso amar quem queira…
Posso odiar o melhor e adorar o pior!

Posso ajudar quem quiser ajuda!
Não tenho medo do sofrimento … já vivi a dor!
E quem não conviveu ainda com a amargura!

Posso gostar de tudo!
Posso não gostar de nada!
Mas não posso ter tudo o que quero!
Mas ninguém pode neste mundo!
Somente há pessoas que podem ter mais... ou muito mais que outras!

Para mim,
viver não significa ter,
Para mim, viver significa, SER...


Ana Corte- Real

Outro poema de Ana Corte Real

Acabará sempre...

A lua ilumina o céu negro enquanto que as estrelas piscam, incessantemente, fazendo brilhar aquela escuridão celestial!

Futuros seres, nascerão,
vidas crescerão…
mas todos nós, inevitavelmente, um dia findamos!
Mas a lua,
tempo no tempo,
continuará a iluminar o céu negro.

Nas horas por entre horas… entre a noite, as estrelas continuarão a fazer brilhar aquela escuridão!

Nós findamos!...
Mas mesmo para quem nos ama, haverá um dia em que a dor ficará esquecida…

Existirá uma lembrança, sim, que se vai desvanecendo,
mas que desaparecerá
nas horas dos outros,
no tempo que não pára… dos outros.


domingo, 22 de março de 2009

Fui assim...


Indo eu um dia a atravessar o Largo do Rato com uma amiga, guiando o automóvel do meu pai, parámos junto do polícia sinaleiro ( muito importante em cima da sua pianha de madeira alta, grande e redonda) que soprava sem parar com o seu apito de metal reluzente e de som vibrante, a orientar o complicado trânsito local. Tendo ainda pouca experiência de conduzir, pois tinha tirado a carta há muito pouco tempo, ao ouvir subitamente o seu apito mandando-me seguir e contornar o seu palanque para voltar à esquerda, arranquei a toda a velocidade com medo de me atrasar e, talvez um pouco nervosa, não sei como, ao dar a volta bati violentamente no seu frágil apoio. Parei imediatamente a alguns metros. O homem cambaleou atónito, barafustou, gesticulou, apitou tanto e de tal maneira que eu atrapalhada e arrependida, tendo sempre presente as boas maneiras e delicadeza aprendidas no Colégio do Sagrado Coração de Maria, resolvi recuar e pedir-lhe desculpa, mas com tão pouco jeito e atrapalhação que lhe voltei a dar novamente outra forte pancada! Não consigo descrever a reacção do pobre polícia que já só queria ver-me dali para fora... Desta vez já não apitou. Com o capacete branco um pouco descaído para o lado, o olhar turvo e o apito numa das mãos, dobrou-se todo para a frente pondo em risco o seu equilíbrio e com os dois braços a ondular expressivamente apontando o longe, suplicava:
- Vá-se embora! Vá-se embora!
Achei então melhor partir bem depressa sem me desculpar, não fosse a paciência do bom homem esgotar-se ou com novo pedido de desculpas, mandá-lo eu talvez, para o hospital!...

terça-feira, 17 de março de 2009

A pesca do bacalhau nos mares da Gronelândia





























Revista Oceanos
Terra Nova

A Epopeia do Bacalhau
Nº 45, Janeiro/Março, 2001

…Foram fracas as campanhas dos últimos anos da década de 20. Em 1930 os navios regressam, mais uma campanha fraca.
Mas Ílhavo anima-se à chegada dos seus homens que andam bamboleando nas ruas como se ainda um
convés pisassem .
Passam os carros de bois carregados com os sacos de lona da roupa de bordo, cheirando a salgado e ao azougue das cavernas. Vai a roupa ao rol para a lavadeira a levar ao rio. Faz-se a procissão do Senhor dos Navegantes, andor aos ombros de marinheiros que cumprem promessas.
Juntam-se os «bacalhoeiros» na praça, na farmácia,
no barbeiro e este, de tanto os ouvir, já conhece os espalques ( locais de bom fundo) do Grande Banco, de cor e salteado os baixos de Rocks, os rumos, quantas as remadas.
Contam-se histórias, recordam-se os maus tempos, lamentam-se os naufrágios e as vidas perdidas. Mas vieram intrigados por terem deixado de avistar, por uns tempos, o «Santa Mafalda» no Virgin Rocks e no Grande Banco.
«- Por onde andou, Capitão Cajeira?
E este conta aos amigos e ao jornal «Beira Mar»:
- No ano passado chegaram até mim informações sobre a belíssima pesca que havia feito um navio francês nos Bancos da Groenlândia (…) Este ano cheguei aos Bancos da Terra Nova, procurei meus lugares preferidos de pesca aqueles onde em anos transactos, tenho feito boa safra. Uma grande desilusão sofri. Má pesca, escassez de peixe, uma arrelia…Resolvi, definitivamente, ir até aos Bancos da Groênlandia.
Partimos no dia 20 de Junho e tivemos uma viagem magnífica (…) Sem novidade e ao fim de 10 dias estávamos a 63º 40´ de latitude norte. Estávamos, então, sob a acção de um frio inclemente, cortante, indescritível (…) De todos os lados, mais perto e mais longe, se erguiam majestosos e bizarros os icebergs (…) De todos os tamanhos e de todos os feitios. Alguns davam-nos a impressão de veleiros singrando os mares, com o velame içado.
(…) Interessante mas tétrico. Interessantíssimas as auroras boreais.
- E pescaram?
- Oiça: castigada pelo frio intensíssimo e ante o perigo eminente em que nos achávamos em virtude da proximidade dos icebergs, a tripulação reunida
declarou-me que era impossível pescar (…) Que não podiam, diziam eles, e eu tive de concordar. O fogão já não tinha calor suficiente para coser pão e a água já fervia com muita dificuldade. (…) Em derredor do navio, a certa distância, avistaram-se centenas de icebergs. Faziam um barulho ensurdecedor (…).
- Como escaparam de tão grande perigo?
- Tivemos a nosso favor um grande factor de ordem natural. Quase não havia noite naquelas longínquas
paragens. O sol rompia às duas horas da madrugada e só às 11e15 horas (da noite) desaparecia no horizonte.
- Três horas pouco mais de noite.
- É certo… e nem sequer nesse tempo dormia descansado. Com grande dificuldade e, por vezes em risco de nos perdermos, conseguimos descobrir uma aberta pela qual iniciámos o regresso.
Navegando com ventos contrários só conseguimos chegar aos bancos da Terra Nova em Julho».
(continua)

Diário Náutico do lugre “Santa Mafalda”, 1931, do capitão João Pereira Cajeira (1879-1958)

Pesca do Bacalhau -2ª parte


Não desistiu o capitão Cajeira. Os navios da Empresa de Pesca de Aveiro, por instruções determinantes do seu gerente Egas da Silva Salgueiro – o Senhor Egas - no ano seguinte irão à Groenlândia, ou são bem sucedidos ou amarram. E em 1931 o «Santa Mafalda» do capitão João Pereira Cajeira, o seu gémeo «Santa Isabel» do capitão Manuel dos Santos Labrincha e o «Santa Joana» do João da Cruz largam do Virgin Rocks para a Groenlândia, sem saberem uns dos outros. Ninguém mais se aventurou – nem armadores nem capitães. Andejo, o “Santa Mafalda” leva a reboque o ronceiro “Santa Luzia” do seu amigo capitão Aquiles Bilelo, da empresa de pesca de Viana, enquanto o mau tempo não os separa.
E o “Santa Joana” inicia a viagem no dia 2 de Julho.
Também a saída do «Santa Isabel» do Rocks não passou despercebida. Pois o piloto do «Argus» registou no dia 23 de Julho de 1931: «à tarde o “Santa Isabel” suspendeu seguindo rumo ao N (norte). Calculamos seguir para Greenland.

(Até que…) aos 7 dias do mês de Setembro com um carregamento de peixe salgado e dando por acabada a campanha de pesca, mandou o capitão seguirmos viagem para Portugal com destino a Aveiro».

Avistam-se ancorados, não saíram do Fyllas, o «Santa Mafalda» e o «Santa Luzia»; iça-se a bandeira nacional a tope no mastro da mezena para lhes dar a notícia do regresso. «algumas ilhas de gelo à vista muito frio ».
A 3 dias de viagem, céu muito carregado, muito escuro para o SW» - sinal de vento muito fresco. Ele aí está, zarro, zarro, de força 8 a 9; navio de capa só com a polaca, vela de estai e a vela grande nos segundos rizes.
E no dia 8 de Outubro, ao fim de 31 dias de viagem, ancora o «Santa Joana» em frente à barra de Aveiro, junto do “Santa Mafalda» que fez 27 dias de viagem e também apanhou temporal desfeito - «mar escangalhado de diversos quadrantes – tempo muito tempestuoso, já não sei qual o barco que possa resistir. O navio vai quase sempre submerso».
Divisa-se no horizonte da nossa barra… É um alvoroço em Ílhavo, nas Gafanhas…navio à vista, navio à barra…
- Olha, são os navios da Empresa, são os navios do Egas, conhecem-se tão bem, os calceses brancos, aqueles mastaréus tão altos, o tosado tão acentuado…- são, são e vêm bem pesados, olha trazem o convés na água, vêm carregadinhos – ai, mas quase não trazem dóris, se calhar foram varridos ao mar… - ih cum raio, aquele do norte só se lhe vêm os cabeços à proa, traz a borda toda partida…» .
Mas a barra não tem água suficiente para lhes dar entrada e no dia 10 de Outubro «pelas 10 horas veio o rebocador «Vouga» com o patrão que nos deu ordem para seguir para o Porto».
E com aguaceiros e vento fresco do quadrante de SW «com o pano todo largo puxando para o Porto».
De 43 navios na campanha de 1930, nesta de 1931 só participam 21.
Crise acentuada. Desemprego na classe: muitos pescadores em terra, lá lhes vai valendo a pesca da sardinha, sazonal, as artes do cerco, a pesca da ria. Pilotos chegam a embarcar de marinheiros em navios de comércio, assim tiram as derrotas a vapor; alguns emigram para o Brasil, conseguem a categoria de pilotos brasileiros. Ficam muitos em casa, dois, três anos, sem subsídios a viver das suas economias.
Foi a esperança no futuro, a viagem daqueles quatro lugres à Groenlândia, navegando só à vela, sem planos dos Bancos, desafiando mares desconhecidos – campos de gelo, meteorologia imprevisível: foram na verdade homens de rija têmpera, destemidos aqueles capitães e suas tripulações.

Para consulta de mais imagens pode CLICAR AQUI

(extractos da Revista Oceanos)

segunda-feira, 9 de março de 2009

Nasce-se para viver...


Nascer e depois viver

Nasce-se para viver!
Respira-se para amar!.
Foge-se da inquietação para se poder continuar!
Comovente…
Comovemo-nos com o parto de uma mulher,
Com uma tarde de encanto,
Com um sol diferente do dia anterior…
Enternecedor…
Enternecemo-nos com a magia das cores…
Com a alegria de um bom pronúncio
Com o olhar de um recém nascido
Acabado de vir ao mundo!

Enquanto que a vida… desperta-nos para tudo.
E nós só queremos olhar para a felicidade!
Mas a melancolia…
A angústia…e a tristeza
Têm sempre um cantinho dentro da pessoa…
Ou então não éramos humanos!

Na vida é difícil contrabalançar o bem e o mal!
Mas temos que prosseguir!
Mesmo com o mal correndo nas nossas têmporas, já esgotadas!
Mas temos que avançar...
E é por isso que lutamos, arduamente,
Fielmente,
Corajosamente,
pela subida da caminhada, da serenidade,
Também limitada,
Pelo meta da existência!


Ana Côrte-Real



Ana e os poemas que vêm da alma...


O que é senão a vida!

Ana… e os poemas que vêm da alma!
Pois se viessem do coração havia lágrimas de comoção
A todas as pessoas;
À breve brisa que corre hoje;
À leveza da passagem do momento;
À subtileza do amor;
À frieza do ódio;
Às quedas que damos durante a caminhada, para uns quase eterna,
para outros tão breve!
Aos anos que passam inalterados sendo nós que envelhecemos!
Mas só na carne, não no espírito…!
Lutemos para vencer o invencível!

Ao pormenor de cada minuto…
Jamais igual
Para sempre diferente…

Amemos o poder da particularidade!

Ao pormenor de cada pessoa…
Quando se pode gerar, dois seres iguais;
Quando se pode gerar, dois seres diferentes;
Ou quando se pode gerar unicamente, um ser!

Ana… e os poemas que vêm da alma!
Pois se viessem do coração havia lágrimas de comoção!

O Tempo não pára…
Quem pára somos nós, na nossa devida hora!
E os meus poemas continuam a brotar da alma,
pois o coração, só a mim pertence!
E os meus poemas continuam a brotar da alma,
porque só entrego o meu coração, a quem eu desejo!

Poema de Ana Côrte-Real

Poema de Ana Côrte-Real




A arte nas estrelas...

Copiar a cor de uma estrela que ilumina o céu durante a noite
Requer graça
Requer talento
Requer arte.
É a visão mais bonita do Universo!

A forma dita a sua beleza!
O brilho a sua vaidade!

No tempo, o artista… copiando a cor das estrelas…
E as estrelas sempre a cintilar na noite negra azul do céu!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Porque gosto tanto dos cães...


Cão Dog Cane Perro Chien Koira Pies Rutshi


Neste mundo egoísta em que vivemos, o cão é o único amigo desinteressado que o homem pode ter. É o único que nunca o abandona, o único que nunca é ingrato ou traiçoeiro.
Os cães entendem os nossos pensamentos e se pensarmos coisas desagradáveis a seu respeito, eles percebem e ficam muito tristes.
Quando um cão abana a cauda, ficamos a saber que ele nos amará para sempre.
Não precisamos de lhe conquistar a confiança e amizade: ele nasceu para ser nosso amigo. Ele é como uma criança que está sempre disponível para amar e ser amada. Não importa ter pouco dinheiro ou quais são as nossas posses, ter um cão torna-nos ricos.
Se o seu cão acha que você é a melhor pessoa do mundo, não procure outra opinião. Os olhos de um cão são o espelho fiel da sua alma. É bom saber que há um olhar à nossa espera e que ganha mais brilho quando chegamos a casa.
O único defeito dos cães é terem vidas demasiado curtas…
Não interessa a língua em que pronunciamos o seu nome: cão, dog, cane, perro, chien koira, pies, rutshi, nestas ou em tantas outras, o cão é o animal do qual podemos fazer o nosso melhor amigo, em qualquer parte do mundo.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Janelas


Poema de António Gedeão


Tenho 40 janelas nas paredes do meu quarto,
sem vidros nem bambinelas
posso ver através delas o mundo em que me reparto.
Por uma entra a luz do sol, por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas que andam no céu a rolar.
Por esta entra a Via Láctea como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens, pela outra a escuridão.
Pela maior entra o espanto, pela menor a certeza,
pela da frente a beleza que inunda de canto a canto.
Pela quadrada entra a esperança
de quatro lados iguais,
quatro arestas quatro vértices,
quatro pontos cardiais.
Pela redonda entra o sonho, que as vigias são redondas
Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade, e o desejo dos homens e o tédio,
e o medo, e as melancolias,
e essa fome sem remédio a que se chama poesia.
E a inocência, e a bondade, e a dor própria,
e a dor alheia e a paixão que se incendeia,
e o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro, que se olham obliquamente,
arrepiados de medo.
Todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes, tudo alonga a sua sombra
nas minhas quatro paredes.
Oh janelas do meu quarto, quem vos pudesse rasgar!
Com tanta janela aberta, falta-me luz e o luar!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Meditar


Muitas vezes, ao fim de um dia de preguiça,
chorei o meu tempo perdido.
E não há tempo perdido, ó meu Senhor.
Tu tomaste nas tuas mãos todos os instantes
da minha vida.
Oculto no coração das coisas, tu é que alimentas
a semente até que ela germine, o botão
até abrir-se em flor e a flor
até ser fruto farto e doirado.
Eu estava estendido, a dormitar, no meu leito
indolente, julgando suspenso todo o esforço.
Mas acordei de manhã e encontrei o meu jardim cheio de flores e de maravilhas.
TAGORE